segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Abri meu baú para viver uma aventura poética.

Num farol fechado da Brigadeiro Luís Antônio,envoltos em prédios e automóveis precipitados,num clima que deveras muitissímo me agrada,um frio que acinzenta o céu,(eu amo a  poesia que esta atmosfera imprime em meu eu melancólico),meu marido me disse que seu erro é me amar demais.Alegria e tristeza me invadiram.Não sei...isso é bom ou ruim?Sabe,agonia e êxtase?Parecia sofrimento.E eu, lacrimosa pra variar,dei-lhe um beijo.E a tristeza passou a parecer-me um singelo gozo de felicidade.
O farol abriu,o transito fluiu,a chuva que o céu prometia caiu...meia duzia de pessoas olhavam a ceninha quase pitoresca através das janelas de um ônibus,mas nada me tira da cabeça que o que lhes chamou a atenção foi de fato a sinfonia de buzinas que nos resgatou do bosque florido onde estávamos.
Eu me sentindo engarupada no cavalo branco do príncipe com o qual por tantas vezes eu fugi da faculdade para ir ao cinema."Vamos minha donzela...hoje eu pago a pipoca".
Nossa história é repleta de passagens epopéicas,dentro da minha visão romântica e floreada é claro.Sempre com o cenário que mais me inspira...uma metrópole atormentadamente melódica.Eu gosto das coisas assim,com repertório e contexto.
Os motores e alternadores ligados e ele a me olhar apaixonado.E não me causa enfado pensar no quão grande é esse amor...haja visto que nos dias atuais coisas deste tipo pareçam ultrapassadas e cafonas.Mas neste caso não.Tem que me amar muito para me suportar.Assim só posso supor que este sentimento de fato exista para quem acredita nele e que ser alvo te tamanho desvelo é no minimo um privilégio.Mas...aqui entre nós,admito que nem me acho merecedora de tudo isso...porque eu sou chata pra caralhooo!!!!
E o meu gladiador?Ah...o meu gladiador...um guerreiro, um herói.Tem que ser de armadura e escudo para transpor o impiedoso mar vermelho no qual mensalmente mergulho.E ele é destemido e valente...e isso já vale uma epopeia .Desornamentando a ave de natal...o peru...ele tem um saco de ouro.Meu marido,não a ave!!
"Sabe qual é meu erro Ari...eu te amo demais".E então eu decidi escrever.Como quem tenta entender...existe medida para isso?Quem inventou o amor inventou a medida?Acho que têm dias em que ele deve me amar "demenos"...
A bem da verdade a vida nos da a deixa.Improvisa quem quer.E em épocas de lirismo e poesia à flor da pele,bem ai pode ser no farol da Brigadeiro,na Sé...na cobertura do edifício Copan onde já estivemos numa tarde magnifica...pode ser sei la onde...Se ele me ama eu digo o mesmo.Se o cenário é perfeito,isso é a gente que faz...definitivamente.Nossos olhos têm a mesma capacidade para ver feio ou para ver bonito.
"Sabe qual é meu erro Marcos...o mar vermelho,mas ele passa".
O amor não,o amor fica...com medida ou desmedidamente.





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